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Fazendas Imperiais do RJ

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Localizadas no Vale do Paraíba Fluminense, as Fazendas Imperiais tiveram seu apogeu entre 1830 e 1870. Grandes fortunas foram conquistadas com a produção e exportação de café. As belíssimas fazendas que se formaram no Vale do Paraíba pertenciam aos famosos Barões do Café, título que era concedido pelo imperador para demonstrar a importância desses cafeicultores para o desenvolvimento do país. Essa concessão era uma tradição com base na cultura portuguesa, em que o monarca premiava com títulos da nobreza aqueles que contribuíam de alguma forma para a prosperidade ou proteção da nação.

Na década de 1830-1840, a exportação do café já representava mais de 40% das exportações totais do Império, suplantando, inclusive, a do açúcar. A província do Rio de Janeiro era a que mais se destacava nesse comércio, sendo responsável pela produção de 3/4 de todo o café que saía do Brasil. O cultivo nas áreas próximas à corte fez com que mais da metade das exportações do país se desse pelo porto da cidade, gerando um aumento considerável da importância econômica do Centro-Sul, ao ampliar a necessidade da abertura de novos caminhos para os tropeiros transportarem as sacas de café até o Porto do Rio de Janeiro.

Na década de 60, período áureo da produção de café, as fazendas do Vale do Paraíba chegaram a produzir 75% do café consumido no mundo, garantindo ao Brasil a liderança mundial na produção e exportação de café. O dinheiro do café construiu ferrovias, iluminação pública e proveu todo o tipo de investimento em infraestrutura que o Brasil fez durante esse período, além dos verdadeiros “palácios rurais” que são as fazendas históricas construídas pelos nobres da região. À medida que as famílias cafeeiras ganhavam dinheiro com o café elas importavam o luxo que a Europa, principalmente a França, tinha a vender na época. Mobiliário, lustres de cristal, papeis de parede, porcelana Limoges, tapetes orientais, tecidos de seda, espelhos de cristal e adornos de todo tipo vieram para decorar as casas de estilo neoclássico que estavam sendo construídas para a rica elite da época.

Na década de 80 o ciclo do café começou sua decadência devido a vários fatores inclusive ao esgotamento do solo. Em 1888 com a abolição da escravatura no dia 13/5, a safra que seria colhida em junho apodreceu no pé e foi inteiramente perdida. Foi o fim dos Barões do Café, que já estavam endividados e perderam suas fazendas. Hoje muitas dessas fazendas estão abertas à visitação pública.

Fazendas históricas que foram construídas na época da grande prosperidade econômica do ciclo do café.

O Que Ver em Vassouras:

– A Praça Barão de Campo Belo, considerada o coração do centro histórico de Vassouras, foi construída em 1857 a mando do Barão de Campo Belo. Cercada por casarões coloniais e emoldurada por palmeiras imperiais, a praça é o cartão postal da cidade e já serviu de cenário para gravação de algumas novelas.

– O chafariz da praça, construído em 1846, tem uma história curiosa pois era ali que os “aguadeiros”, escravizados que pegavam água para abastecer os casarões, se encontravam e conversavam sabendo, assim, de todas as novidades e fofocas da cidade.

– A Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição, que fica no alto dessa praça principal, embora simples, é em estilo neoclássico por fora e rococó por dentro. Sua construção foi fruto de uma promessa feita pelo Barão de Aiuruoca por ter sido salvo de um naufrágio. Na torre, dois galos simbolizam a passagem bíblica em que Pedro negou Jesus 3 vezes antes do galo cantar. Atrás da Igreja Matriz fica a rua das árvores centenárias com troncos de grande circunferência, entre elas, a Ficus Indiana, árvore sagrada que dizem dar sorte àquele que abraçar seu tronco e fizer um pedido.

– Ainda na praça está o Centro Cultural Cazuza que funciona na casa onde Lucinha Araújo, mãe de Cazuza nasceu. O Centro Cultural Cazuza fica em um  lindo palacete em estilo neoclássico, construído em 1845 para ser residência, e depois de um tempo abandonado, o casarão foi reformado pela Sociedade Viva Cazuza, pelo IPHAN e pela Prefeitura Municipal de Vassouras e abriga, desde 2018, o Centro Cultural Cazuza. Foi muito emocionante ver ao vivo e à cores alguns objetos desse grande artista que deixou um enorme legado para a música brasileira.

– A antiga estação de trem foi inaugurada em 1875 recebeu trens até 1970. Reformada em 1914 hoje abriga o Memorial do Trem, um pequenino museu que exibe materiais relacionados aos trens: fotos e peças como faróis antigos, carimbos e relógios.  Uma bela recordação do passado é também a locomotiva a vapor que fica na área externa.

– Museu Casa da Hera ou Chácara Casa da Hera é daqueles lugares para se visitar com calma e se deleitar com a história de sua antiga proprietária, Eufrásia Teixeira Leite. Essa casa, construída por volta de 1835 para ser residência da tradicional e poderosa família Teixeira Leite, é um exemplo de como viviam as famílias muito ricas. O café que saía de Vassouras para a corte tinha que passar pelo crivo da família Teixeira Leite que lhe atribuía uma espécie de selo e sem ele o café perdia valor para ser exportado. Com a morte dos pais em 1872, Eufrásia conhecida como a sinhazinha de Vassouras, mudou-se para Paris onde viveu 38 anos, mas fez questão de manter a casa que até hoje exibe mobília e arrumação exatamente como era na época. Antes de sua partida, libertou os escravizados que trabalhavam na casa de sua família

Eufrásia foi uma mulher à frente de seu tempo pois, além de ter sido a primeira mulher a investir na Bolsa de Valores, também tomava decisões sobre sua vida sem dar ouvido aos parentes. Teve um romance com Joaquim Nabuco que durou 14 anos e contrariou muito aos familiares. Após seu falecimento, em 1930, sua fortuna foi doada para obras de caridade e para a cidade de Vassouras.

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